O Ministério da Saúde lançou no final de setembro de 2004 uma rede pública de bancos de armazenamento de sangue de cordão umbilical e placentário, a BrasilCord, para o atendimento de pacientes que necessitam de células-tronco e que aguardam transplantes de medula óssea.
Embora tenha sido lançada oficialmente, a rede só deverá estar em funcionamento no final de 2004. Atualmente, o Brasil soma 2.500 indicações anuais para transplante de medula óssea, das quais 1.500 não encontram um doador com laços de parentesco e compatibilidade genética.
Com a rede BrasilCord, o ministério estima que o tempo de identificação de doadores compatíveis para o transplante de medula óssea caia de seis meses para quarenta dias, o que beneficiará principalmente pacientes com leucemia.
O Brasilcord foi uma iniciativa da Sociedade Brasileira de Transplante de Medula Óssea (SBTMO), que originou a Portaria Ministerial nº 903/GM de 16/08/2000, que regulamentou este procedimento e a base para a criação da rede nacional.
A ABRALE contribuirá com o projeto esclarecendo a população e médicos obstetras sobre a importância da doação.
Abaixo, algumas respostas para as dúvidas mais freqüentes sobre a doação do sangue do cordão umbilical:
O que é o sangue de cordão umbilical e placentário (SCUP)?
Devido às dificuldades de se encontrar doadores de medula óssea, busca-se fontes alternativas de células-tronco. Pesquisas demonstraram que, durante a gestação, o sangue de cordão umbilical se torna uma rica fonte de células-tronco da medula óssea do próprio bebê. Após o parto, o sangue que permanece no cordão umbilical e na placenta, contendo células-tronco, é geralmente descartado. A partir dessas descobertas, as células-tronco obtidas do sangue de cordão umbilical vêm sendo utilizadas em modelos terapêuticos onde é indicado o transplante de medula óssea.
Qual a principal utilização do sangue de cordão umbilical?
O uso terapêutico comprovado é a reconstituição de células do sangue, substituindo a medula óssea nos pacientes que não têm doador.
Quais as expectativas a médio prazo da utilização das células-tronco?
Pesquisas em andamento buscam utilizar essas células na regeneração de tecidos, como o músculo cardíaco. Há pesquisas para o uso no tratamento de lesões da medula espinhal e na redução de morbidade em casos de acidente vascular cerebral.
Como é feita a coleta de sangue de cordão umbilical?
A doação do sangue do cordão umbilical não começa na coleta. Ela passa por várias etapas:
1) Triagem: as mães dispostas a doar passam por uma triagem desde o pré-natal. São excluídas aquelas que apresentarem desordens genéticas familiares e histórico de neoplasia, entre outros, e aquelas que tenham deixado de realizar pelo menos duas consultas no pré-natal.
2) Coleta: passada a triagem, o sangue do cordão é coletado tanto em partos naturais quanto em cesáreas. A coleta é acompanhada por três formulários: um relatório do histórico clínico materno e familiar, um histórico do parto do recém-nascido e um termo de consentimento livre e esclarecido, que regulariza a doação do material. Também é retirada uma amostra de sangue materno para a triagem sorológica de doenças como hepatites e Aids.
3) Análise: o material coletado é acondicionado sob refrigeração. Depois, passar por uma contagem do número de células e de volume. Se esses números forem baixos, a unidade coletada é desprezada. Caso apresente boa celularidade, a unidade é processada.
4) Consulta com a mãe e o bebê: há uma consulta com a mãe, de dois a seis meses após o nascimento, para novos exames de sangue e observação do estado geral do bebê. Caso tenha ocorrido alguma anormalidade, a unidade de sangue é descartada. Só após esses exames a unidade tem sua tipagem realizada e disponibilizada no registro de doadores.
Quais são os procedimentos necessários para a doação?
Podem doar mães com menos de 36 anos, cujo bebê venha a nascer com idade gestacional maior de 35 semanas e peso maior que 2 kg. Algumas exigências devem ser cumpridas antes da coleta, similares às requeridas para doação de sangue. Antes do parto, a mãe deverá passar por uma triagem clínica (entrevista). Segundo a legislação brasileira, entre 60 e 180 dias após o parto, a mãe deverá retornar ao banco de sangue para uma nova entrevista e coleta de sangue para a realização dos testes laboratoriais.
O que garante a qualidade do material armazenado?
O sangue do cordão umbilical passa por vários testes e é armazenado em tanques de "quarentena" até a liberação final, após o retorno da mãe para a coleta de nova amostra de sangue.
Que paciente pode ser tratado com esse tipo de célula-tronco?
O número de células-tronco que vem do cordão e da placenta é geralmente insuficiente para transplantar pessoas adultas. Portanto, crianças e adultos de tamanho pequeno ou médio (até 50 kg) podem ser tratados com essas células-tronco. Para adultos, uma bolsa de sangue não basta. Se houver mais de uma compatível e número de células suficiente, é possível realizar o transplante dessas células-tronco em adultos.
Por quanto tempo as células-tronco do sangue do cordão umbilical podem ficar armazenadas?
Até o momento, a mais antiga amostra de células-tronco de sangue do cordão descongelada tinha 15 anos e estava intacta. Outros tipos de células humanas preservadas com sucesso por criogênese mantêm-se viáveis por mais de 55 anos, inclusive células da medula óssea. Por isso, em tese, quando processadas corretamente, as células-tronco podem ficar preservadas por décadas.
Pode-se doar o sangue do cordão umbilical de um bebê para o Brasilcord para uso exclusivo na mesma criança, caso ela precise no futuro?
Não. O Brasilcord é um banco público. E todo paciente que precisar, se houver compatibilidade, poderá usar o material doado. Além disso, guardar o sangue do cordão umbilical para uso de seu próprio filho não tem respaldo na medicina. A probabilidade de uma pessoa precisa das próprias células durante seus primeiros 20 anos - período em que se admite que as células congeladas se mantenham viáveis - é de apenas 1 em 20 mil, pois uma de suas principais utilizações é no tratamento da leucemia. Nesses casos, o transplante de sangue de cordão do próprio indivíduo é contra-indicado, já quie o transplante alogênico (de terceiros) apresenta melhores resultados. Outra limitação é que a quantidde de células obtidas de um único cordão pode servir para o tratamento de pacientes com, no máximo, 60 kg. Por meio dos bancos públicos, é possível combinar cordões geneticamente compatíveis e tratar pacientes de maior peso.
O cordão umbilical de um filho é igual ao de outro?
Cada filho é único, e a probabilidade de irmãos serem perfeitamente compatíveis é de 1 para 4. Além disso, não é possível prever se uma das crianças, e qual delas, eventualmente necessitará de um transplante.
Quanto custa a coleta e o armazenamento do sangue do cordão?
A coleta e armazenamento de cada unidade custa em torno de R$ 3.000 para o SUS. Já a importação de unidades de sangue de cordão umbilical vindas de centros internacionais fica em US$ 32 mil.
Existem bancos semelhantes no exterior?
Sim. No exterior existem mais de cem bancos, com mais de 130 mil unidades de cordão congeladas.
Por que doar o sangue do cordão umbilical?
Ao doar o sangue do cordão umbilical, você ajuda a salvar a vida das pessoas que ano a ano precisam de um transplante de medula e não encontram doador compatível.