A leucemia mielóide aguda (LMA) resulta de uma alteração genética adquirida (não herdada) no DNA de células em desenvolvimento na medula óssea.
Os efeitos são:
1) crescimento incontrolável e exagerado e acúmulo de células chamadas de mieloblastos ou “blastos leucêmicos”, que deixam de funcionar como células sangüíneas normais, e ,
2) bloqueio da produção normal de células da medula, levando a uma deficiência de células vermelhas (causando anemia), plaquetas (causando hematomas e sangramentos) e de células brancas (especialmente de neutrófilos aumentando o risco de infecções) no sangue.
Na maioria dos casos desta doença, não existe causa evidente. No entanto, em alguns pacientes consegue-se relacioná-la à exposição a benzeno (principalmente profissional), a radiação ionizante, como o que ocorreu em Hiroshima e à exposição à quimioterapia no tratamento de outras doenças como câncer de mama, ovário ou linfomas.
Doenças raras como anemia de Fanconi e Síndrome de Down estão relacionadas a um aumento do risco de desenvolver LMA.
Ocorre na infância, adolescência, entre adultos e idosos. No entanto, sua incidência varia de 1:150.000 na infância e adolescência, 1:100.000 entre os 30 e 40 anos de idade e aos 70 anos chega a 1:10.000 pessoas.
A LMA apresenta oito subtipos diferentes, que são visualizados e classificados à realização do mielograma (punção de medula óssea). São esses os seguintes subtipos:
M0 e M1: mieloblásticas imaturas;
M2: mieloblástica madura;
M3: promielocítica;
M4: mielomonocítica;
M5: monocítica;
M6: eritroleucemia;
M7: megacariocítica.
O entendimento desta classificação e nomenclatura é complexo. Neste sentido contribuem também exames específicos como a imunofenotipagem, a citogenética.
A identificação das características dos diversos subtipos da LMA, como idade e condições clínicas do paciente, é fundamental na escolha do tratamento da Leucemia Mielóide Aguda entre os diferentes esquemas existentes.
Sintomas
As células com leucemia (denominadas de blastos), não realizam as funções normais do sangue, como combate a infecção (realizada pelos linfócitos), carregamento de oxigênio para os tecidos (realizado pela hemoglobina), e dificuldade para coagulação (realizado pelas plaquetas).
Por essa razão, os pacientes com leucemia freqüentemente desenvolvem infecções (devido a diminuição no número de linfócitos), anemia (devido a baixa produção de hemoglobina) e sangramentos (devido a produção diminuída no número de plaquetas).
É importante que se diga que os sinais e sintomas de leucemia aguda podem simular qualquer outra doença como as infecções virais ou bacterianas, doenças reumatológicas e outros tumores. Por essa razão é importante o médico realize um exame clínico minucioso e interprete os exames com maior critério, podendo esse, dar um diagnóstico seguro da doença.
Os principais sinais e sintomas:
Febre (que pode ser da leucemia ou de infecção associada);
Fraqueza e fadiga;
Infecções freqüentes;
Perda de apetite e peso;
Sangramentos com facilidade;
Manchas roxas na pele (são hematomas e equimoses);
Suores durante a noite;
Dor nos ossos e juntas;
Dor abdominal: devido ao aumento do baço;
Diagnóstico
Para descobrir a causa dos sintomas, o médico pergunta sobre o histórico e exame físico, além de testes de sangue. Com isso o médico faz um diagnóstico presuntivo, isto é a hipótese de que pode ser leucemia, mas a confirmação do diagnóstico é feita pela realização de punção da medula óssea (mielograma).
O diagnóstico definitivo é feito por meio da análise microscópica da medula óssea e com a realização de exames denominados de imunofenotipagem (para avaliação do tipo de leucemia) e citogenética (análise das alterações genéticas das células blásticas). O envolvimento do sistema nervoso deve ser avaliado por meio da coleta e estudo do líquido céfalorraquiano (líquor).
Tratamento
Tão logo o diagnóstico seja possível, os pacientes devem ser submetidos ao tratamento quimioterápico inicial, chamado indução da remissão. O principal objetivo é a obtenção da chamada remissão, desaparecimento das células blásticas na medula óssea. Quando a remissão é atingida, a produção normal dos glóbulos vermelhos, brancos e plaquetas é restabelecida.
As drogas utilizadas nesta fase são a Citarabina ou Aracyrin, por 7 a 10 dias, e a Idarrubicina ou Daunorrubicina. Geralmente, dois cursos de tratamento nesta fase são utilizados. Remissão não é cura, mas pode significar o primeiro passo para alcançá-la. Os pacientes devem entendê-la como uma das batalhas vencidas para se ganhar a guerra.
Nos casos de leucemia pró-mielocítica ou M3, um derivado da vitamina A, chamado ácido all-trans retinóico (ATRA) por via oral é acrescentada ao tratamento. Essa medicação faz com que uma alteração citogenética específica denominada translocação 15:17 ajude na maturação das células leucêmicas desse sub-tipo de LMA.
O tratamento pós-remissão depende da idade do paciente, condições clínicas e, principalmente, dos resultados da citogenética, podendo variar desde a intensificação das doses de quimioterapia em um ou mais ciclos, até o uso das diversas modalidades de transplantes de medula óssea (autólogo ou alogênico).
Recentemente, uma nova droga chamada Mylotarg (anticorpo monoclonal) foi lançada no mercado e pode ser para pacientes idosos com recidiva da leucemia pós-tratamento.
Além disso, cuidados gerais devem ser tomados, como a colocação de um catéter vascular para obter uma via adequada de infusão para quimioterapia, antibióticos e transfusões que geralmente são necessárias. O uso de drogas como o alopurinol que impede o acúmulo do ácido úrico resultante da destruição das células malignas pela quimioterapia é também recomendável. Alguns antimicrobianos de uso preventivo são também utilizados. Como a quimioterapia leva a períodos prolongados de diminuição de glóbulos brancos (neutrófilos) com alto risco de infecções graves, podem ser usados medicamentos que estimulam a produção normal dessas células como o G e GM-CSF (fatores estimuladores de colônias de granulócitos de monócitos).